
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
"Poema"
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner
terça-feira, 9 de março de 2010
Ele diz que... ele quem?
"Menina, já viu o dia que está hoje? (a senhora do café para mim); "Pois, está lindo". "Ai filha, mas olhe aproveite porque isto é sol de pouca dura. Lá para sexta ou assim já volta a chuva c´a gente já nem sabe de que terra é." "Pois, se calhar"; "Ai não que não é [e o sobrolho que se franze]... qu´isto eles só se enganam ao contrário. A gente sai de casa a achar que vai estar um dia lindo, e depois está esta porcaria do costume. Por isso é que eu já nem vejo lá a televisão, só as novelas. Mas depois os fregueses põem-se a comentar e... olhe... eu tenho que ouvir [ombro que se encolhe devagar]".
Questão nº 1: quem são os eles deste discurso? Quem é o ele doutros tantos? Todos sabemos que os portugueses acham que há uma conspiração contra eles... mas assim tão grande? Ou seja, de tal forma que constitua uma entidade "inominável"? Ai isso eles é que sabem... eles QUEM?
Note-se que o pronome pessoal assume aqui uma espécie de sinal de inferioridade, estilo eles, os que estudaram e têm o incrível privilegio de possuir conhecimento. Ou eles, os que não andam aqui a trabalhar com´à gente.
Melhor ainda: ele diz que... para na verdade querer transmitir que se diz por aí. É um pouco como se a multidão assumisse uma vontade singular, só que a utilização é bem mais prosaica.
S-I-N-I-S-T-R-A, esta utilização da bonita palavra ele e da sua forma plural eles.
Ele diz c´a menina do Paulino lá da terra até tem uns olhos bonitos.
Ele diz c´a Soraia é uma moça aplicada, xe calhar até vai para dôtôra.
Ele diz c´o rosmaninho faz bem ao rumático.
Ele diz que... ele diz que... e ELA nunca diz nada??????
segunda-feira, 8 de março de 2010
Pelo Dia da Mulher
Não é por acaso que lembro do meu amigo Roberto Ford Vermelho - é que ontem aconteceu um fenómeno incrível: a RTP Memória passou um programa digno de atenção!!! Por segundos dei por mim a PARAR para efectivamente VER algum programa daquele canal. O Out of Africa passou, já depois da meia-noite mostrando o excelente empenho do director de programas em premiar-me neste meu/ nosso dia. Muito obrigada.
Aqui ficam algumas mulheres com obra feita! E para além disso ainda foram provavelmente donas-de-casa e Mães. Tirando muito raras excepções, gostava de saber que alta figura masculina ainda chega a casa para lavar a loiça. Quanto muito, e com esforço, têm uma ou duas tarefas que cumprem com dor e ar de quem lhes pediu o mundo - "Vês?! Eu já fiz a cama!". Mas têm que ser "mandados", senão não vão lá. Apontem-me por favor o homem que antes de ir dormir passe na máquina da roupa para estender os trapos molhados ou que olhe para o frigorífico a pensar o que falta comprar para o jantar... enfim!
domingo, 7 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Elis!!
Caía a tardxi feitum viaduto e um bêbado trajando luto, mi lembrô Carlitos e a lua, tau quau a dona du bordéu, pedxia à cada istrela fria um brilhu dzi aluguéu!
Uma maravilha para os ouvidos.
quinta-feira, 4 de março de 2010
E para aligeirar a coisa...

ahahahaha desconheço quem seja o senhor. Não sei se é um ilustre zé ninguém ou um alto nome da moda internacional, mas ONDE ESTAVA CABEÇA DA EDITORA DA VOGUE PARIS para escolher esta alma como um dos melhores looks à entrada do desfile da Chanel alta costura na semana da moda de Paris???
Os pelinhos das pernas no collant transparente fazem-me suar, e muito!
Já a senhora infra está num grande kit, lanço apenas um pequeno alerta para o elevadíssimo grau de conforto da sandalocha que apresenta na capital francesa em finais de fevereiro...
Do Bolero e de Ravel
Havemos, no entanto, de convir que, para quem gosta destas andanças, este vídeo é inacreditável.
E hoje não digo mais, porque não tenho muito a acrescentar nem à música do amigo Ravel nem à coreografia do my dear Béjart, nem mesmo à interpretação dos bailarinos que parecem saber muito bem o que fazem.
Pois aqui vai:
terça-feira, 2 de março de 2010
Das divas
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Louis Vuitton
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
P-Â-N-I-C-O ou nem tanto
Estou ansiosa para ver este filme e parecer uma tontinha a fazer o pino no cinema para não olhar para o écran. É o costume. Mas invariavelmente vejo filmes de terror, absolutamente limitativos e limitadores e passo todo o tempo a dizer a mim mesma que é só um filme, enquanto olho para a imagem por entre os dedos das mãos.
Um horror.
Mas imperdível!
...
Desengane-se quem vai em busca de um filme de terror. E a culpa é do autor do trailer que constrói 5minutos de se lhe tirar o chapéu capazes de atrair todos os tipos de público. Trata-se de um excelente filme, mas por motivos diferentes dos que nos levam a ir vê-lo.
Shutter Island é um filme de suspense, mas é acima de tudo um drama psicológico muito intenso em que o espectador é levado a crer nas aparências, para depois se aperceber de que o trompe l´oeil era gigantesco. Théâtre dans le théâtre e mais não digo.
DiCaprio está absolutamente à altura da profundidade da sua personagem, sendo capaz de levar o espectador a ver através dos seus olhos, numa interpretação no mínimo perturbadora.
Scorcese constrói uma história com uma excelente escolha de autores, uma mistura de filme negro, de suspense e de terror, usando uma banda sonora perfeitamente adequada e cenários que apelam ao imáginário comum: um manicómio-prisão onde se escondem os mais loucos e perigosos criminosos. Muito bem construída está a mistura entre o sonho e a realidade, entre a embriaguez e a sobriedade.
Um filme a ver quanto antes, por todos os motivos.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Margot e Nureyev
Genial.
Trata-se de um momento do Lago dos Cisnes, com música de Tchaikovsky, interpretado por Rudolf Nureyev e Margot Fonteyn, no qual ambos fazem um incontável número de perfeitas pirouettes fouettées. Precisam de apresentações?
Nureyev (1938-1993) foi o maior bailarino de todos os tempos: nascido na Rússia, estudou na Academia Vaganova (Kirov) de acordo com a fortíssima técnica russa, tendo pedido asilo aquando de uma tournée em Paris. É o começo de uma carreira que faria de um bailarino clássico uma verdadeira estrela pop. Se a técnica ensinada no Kirov não primava pela expressão das emoções, Nureyev encontrá-la-á com Margot Fonteyn (1919-1991), a melhor bailarina inglesa da altura, 20 anos mais velha e já muito conceituada - 1ª bailarina do Royal Ballet.
Constrói-se, assim, a mais conhecida parceria do mundo da dança clássica, com dois bailarinos exímios que se completam, apesar da enorme diferença de idades entre ambos. Se Nureyev trouxe a perfeição da técnica, Margot F. ensinou-lhe a emoção da dança e uma gestualidade que, na Rússia, não existia. Criou-se, entre ambos, e acima de tudo, uma electricidade que entusiasmava multidões desde o primeiro momento.
Não tenho conhecimento de alguma vez mais se ter repetido a sinestesia provocada por Margot e Nureyev.segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Whatever works!
Woody Allen no seu melhor! Whatever works torna-se uma espécie de lema de vida.
Gostas desta saia? Ou preferes aquela? Whatever works.
Azul ou verde? Whatever works.
Cilit Bang ou Cif? Whatever works.
Frito ou grelhado? Whatever works.
Whatever works, bolas... as long as it works, claro!






